Vocação

Pescadores1. Quem levará o melhor de mim?
Um dia me perguntei: quem levará o melhor de minha vida, de mim mesmo? E diante de mim apareceram várias possibilidades: uma empresa onde poderia trabalhar; uma família que poderia formar; uma atividade cultural (música, teatro, etc.) que desenvolveria minha criatividade. E as possibilidades foram muitas mais. Mas, eu era uma pessoa de fé, acreditava em Jesus Cristo e o meu ser era infinito. E percebia a necessidade de alguém que trabalhasse pela paz, pela vida, pela liberdade e dignidade de cada ser humano. E o Evangelho de Jesus me atraía e era a solução para os problemas da Humanidade. E eu escolhi anunciar o Evangelho para a libertação das pessoas e da História. E encontrei os pobres e os jovens. E busquei o caminho da Comunidade Shalom. Os pobres e os jovens levarão o melhor de minha vida. Quem levará o melhor de sua vida? Quem você descobre com tanta dignidade e valor, para que lhe entregue o melhor de sua vida?

2. Para que quero a minha vida?
Um dia me perguntei para que quero minha vida e fiquei envergonhado porque não sabia para que quero minha vida. E então, comecei a me perguntar e a procurar. E descobri que minha vida era importante e que eu deveria realizar uma obra significativa. E descobri que o importante é viver de verdade, na simplicidade e na doação da vida. E encontrei a Comunidade Shalom, lugar de verdade, para buscar o seguimento de Jesus e ser em Deus, anunciando o Evangelho aos jovens.

3. Para que serve a minha vida?
Um dia me perguntei: para que serve a minha vida? E descobri que a minha vida estava servindo para estudar, para algumas farras e pouco mais. E fiquei triste. Isso fez-me descobrir o potencial d mim mesmo: riqueza afetiva, riqueza física, riqueza intelectual, riqueza espiritual. Era inteligente, habilidoso, e amava ter amigos. E queria também que a minha riqueza servisse uma causa boa. E descobri que a fome, o analfabetismo, a guerra, a injustiça, o desemprego..., me cortavam o coração. E ver tantos jovens vivendo como eu ‘sem servir para quase nada’ me tocou o coração. E descobri a Comunidade Shalom para que minha vida servisse para uma causa forte de libertação.

4. Por que estou aqui?
Um dia me perguntei: por que estou aqui? Por que nasci? E parei para buscar a minha origem. E foram vários anos de procura, escutando meus pais, meus irmãos, professores e catequistas e meus amigos de grupo de jovens da igreja. E certo dia, a Palavra de Deus me falou, “antes que tu nascesses eu te conhecia e te consagrei...”. E percebi que o Amor de Deus me trouxe a vida e me educou através de muita gente. E me senti feliz, minha estima aumentou e se confirmou. E renasci na relação com Deus: Deus és minha Fonte. Estás no princípio e no fim da minha vida. Por isso, estou aqui para ser na tua presença, presença do teu Amor. Encontrei Jesus Cristo como irmão e companheiro e abracei a sua missão. E hoje, vivo na Comunidade Shalom, caminho de vida, caminho de união com Deus, tendo Jesus como guia. Porque nasci do Amor de Deus e sou filho querido e amado por Deus. Por isso nasci, para viver na aliança de Amor com Deus. Ele me chama e eu respondo. E me sinto irmão de todos, na criação. E meu ser é livre e feliz.

5. Por que evangelizar os jovens?
Um dia me perguntei: “Por que evangelizar os jovens?” Eu tinha 17 anos e era jovem e tinha na minha frente muitas possibilidades de realização. E sentia um desejo grande de ser. E com 26 escolhi dedicar minha vida a evangelização dos jovens: Eles são caminhos abertos, e poderão descobrir o caminho do Evangelho (em vez de outros caminhos: drogas, marginalidade, isolamento, produção capitalista, ser peça de uma máquina de produção e consumo, o caminho do sexo, do prazer e do dinheiro). Eles poderão encontrar alguém que os ajude a pensar, a descobrir o essencial da vida; eles poderão descobrir valores que dignificam a sua vida e que sejam caminhos de vida, como fraternidade, justiça, fé, doação da vida, a pessoa de Jesus.  Eles são aqueles que transitem o Evangelho de geração em geração, sobretudo messe tempo de mudança, passam o Evangelho na linguagem desta cultura em mudança. A evangelização dos jovens e fundamental para que se tornem pessoas livres, conscientes, conhecedores de suas relações com Deus, com a criação, com a Humanidade, e seu compromisso com o presente, o futuro da terra e do universo.

6. Por que ser padre?
Um dia me perguntei: Por que ser padre? E no início, parecia uma idéia muito longe de mim. Mas fui considerando essa possibilidade para minha vida. E fui observando com atenção como o padre vivia e o que fazia. E vi que ele doava a vida, como Jesus para que todos descobrissem a dignidade de filhos e filhas queridos de Deus, e vivessem em comunidades de fé e de partilha. E descobri que ser padre é viver no coração da vida, na intimidade da vida. É viver dentro da vida e não na periferia da vida. Ser padre é ser abraço de Deus e do povo, é ser lugar de encontro de Deus e da pessoa humana. O padre partilha alegria e o sofrimento, as dúvidas e as esperanças, a paixão da vida. Mãos que abençoam, perdoam e consagram, palavras que confortam, ouvidos que escutam a sinceridade de cada um... Lá onde Deus se encontra com a pessoa humana e onde a pessoa humana se encontra com Deus, aí está o padre, nesse lugar de comunhão, na intimidade da vida (nos sacramentos, no amor partilhado, no aconselhamento, na mudança de vida, no anúncio da Palavra). E dentro de mim cresceram sentimentos de admiração e que também me atraiam para ser um padre. E eu que já tinha uma vida de escuta da Palavra de Deus e da evangelização da juventude, aceitei esse idéia e a escolhi. E fui. Sou padre da Comunidade Shalom. Eu me sinto abraço de Deus e do povo, na humildade de seguir Jesus.

7. Por que ser religioso?
Um dia me perguntei: Por que a vida religiosa? E me parecia uma vida estranha: A maior parte das pessoas quer casar e ter filhos, quer viver a vida como bem lhe apetece, sem responsabilidade maior. Na vida religiosa pessoa não casa, os seus bens são de toda a comunidade, e a responsabilidade é grande. E esse contraste me chamou à atenção. E descobri que ser religioso ou religiosa é uma profecia e um jeito alternativo de viver, de ser: pessoas diferentes, de países e lugares diferentes, formam um família original; os bens são partilhados entre todos e ninguém passa fome ou necessidade; todos têm dignidade igual, pois todos buscam amar de todo o coração e servir com alegria; a esperança enche o coração de todos, pois cada um procura nascer de Deus, dia a dia; a vida é partilhada em favor dos necessitados sem buscar recompensa. Dentro de uma sociedade oprimida e que se apóia em valores sem valor, a vida religiosa é uma sociedade alternativa que gera liberdade e fraternidade. Dediquei mais tempo para compreender o ser religioso ou religiosa. E vi que a amizade com Deus, com Jesus, é o fundamento desse jeito de ser. Ele chama, cativa, ama e leva a vier desse jeito. É uma entrega no ser de Deus e em Deus, que faz a pessoa ser livre para se doar como Jesus. E, quando me apercebi, estava perto da Comunidade Shalom, dos padres e das irmãs. Que bom, foi uma luta, mas que alegria!   

 

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