Comunidade Shalom

Tempo Comum (agosto e setembro de 2010)

Planta

Li na Internet um PowerPoint com o “Decálogo para Férias” de D. Xavier Salinas, bispo de Tortosa. O 3º ponto diz: «Vive o Domingo. Nas férias, ele continua a ser o Dia do Senhor. Deus não vai de férias. Tens mais tempo livre, participa na Eucaristia dominical.» Este apontamento visa ajudar os cristãos na preparação do Domingo, iniciando nas Leituras e reflexão prévia da Palavra de Deus.

E nestes Domingos próximos, a Palavra também parece apostada em não nos dar férias de Deus.

A “sabedoria do coração”

01 de Agosto

XVIII Domingo Comum

Leituras: 1ª: Ecl 1,2;2,21-23;Sl 90,3-6.12-14.17; R/ Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações; 2ª: Cl 3,1-5.9-11; Evangelho: Lc 12,13-21. Semana II do Saltério

Hoje, Coelet coloca-nos impiedosamente perante a vacuidade (mais do que vaidade!) da vida do ser humano. Mesmo «quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez… Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?» (1ª Leitura). A resposta vem no ponto 10º do tal “Decálogo para Férias”, de D. Xavier: «Vive a Solidariedade. Não queiras tudo para ti. Pensa naqueles que não têm férias, porque nem sequer têm o pão de cada dia. A caridade também não tem férias!» E, se “quem dá aos pobres empresta a Deus”, a retribuição será bem maior do que deixar tudo a certos herdeiros…

Então, é “sábio” desapegarmo-nos dos bens terrenos, como diz Paulo: «Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra» (2ª Leitura). Nem de propósito, na próxima Sexta-feira, dia 6, a Igreja celebra a Transfiguração do Senhor (ver Lc 9,28b-36)…

E Jesus apoia essa atitude, quando, em resposta a quem o quer (compro)meter nas disputas entre herdeiros, apresenta a parábola do homem que pensava ter o futuro assegurado ao encher o celeiro com as colheitas do ano. Concluindo: «Insensato! Esta mesma noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?» (Evangelho).

A mensagem é confirmada pelo Refrão do Aleluia: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.» (Mt 5,3).

Daí pedirmos ao Senhor: «Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração» (Salmo). Sabedoria do coração: eis a chave de leitura e vivência dos textos.

Duas parábolas de Jesus

08 de Agosto

XIX Domingo Comum

Leituras: 1ª: Sb 18,6-9;Sl 32,1.12-22; R/ Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança; 2ª: Heb 11,1-2.8-19; Evangelho: Lc 12,32-48. Semana III do Saltério

O Livro da Sabedoria recorda a noite da libertação do povo de Deus no Egipto, para solidificar a fé dos crentes de então – e a nossa – na dos antepassados (1ª Leitura). Levando-nos a proclamar, com o Salmista: «Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança» (Salmo).

Por sua vez, a Carta aos Hebreus, no célebre capítulo 11 em que faz uma leitura crente da História bíblica através dos seus personagens, diz: «A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem» (2ª Leitura). Quase a sublinhar a parábola de Jesus, no Domingo passado.

E Jesus não se faz rogado, voltando ao mesmo: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.» E conta mais duas parábolas, comuns a Lucas e Mateus: a dos servos à espera que o seu senhor volte da boda, e a do administrador infiel (Evangelho).

De como Servir é Subir ao céu

15 de Agosto

Assunção de Nossa Senhora

Leituras: 1ª:Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab;Sl 45,10.11.12; R/ À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu, ornada do oiro mais fino; 2ª: 1 Cor 15,20-26; Evangelho: Lc 1,39-56. Semana IV do Saltério.

Excepcionalmente, neste Domingo celebramos um privilégio com que se conclui a vida de Maria, como corolário de outro com que celebrámos o seu início a 8 de Dezembro passado. De facto, o dogma da Imaculada Conceição exigia que não passasse pela corrupção da morte aquela que não pagou o preço do pecado.

Há uma relação entre a Ascensão do Senhor Jesus Cristo e a Assunção de Maria, sua mãe. Cristo, subindo aos céus, como nosso cabeça e primogénito, deu-nos a esperança de irmos um dia ao seu encontro, como membros do seu Corpo, para nos unir à sua glória imortal» (Prefácio I da Ascensão); «a Mãe de Jesus, já glorificada no céu em corpo e alma, é imagem e primícia da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição no século futuro…» (Lumen Gentium 68).

Vai nesta linha a 2ª Leitura, ao dizer-nos que «Cristo ressuscitou dos mortos… como os primeiros frutos da seara… Pois, assim como em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos á vida. Cada qual, porém, na sua ordem. Primeiro, Cristo, como os primeiros frutos da seara; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.» Maria, como sua Mãe isenta do pecado, também se antecipou com Ele na glória antes da sua vinda. E lá, «enquanto não chega o dia do Senhor, ela brilha, como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo de Deus peregrino» (Lumen Gentium 68). Sobretudo em momentos de maior dificuldade para o povo de Deus ou a Igreja, como os subentendidos na 1ª Leitura: a perseguição às igrejas da Ásia no tempo do imperador Domiciano por volta do ano 95, e as heresias internas da Igreja de então. E hoje há igrejas assim!

Mais do que admirar o privilégio de Maria, interessa aprender o exemplo da sua vida: se Jesus viveu «fazendo o bem» (Act 10,38), sua Mãe viveu a servir. No início da sua vocação, definiu-se como «serva do Senhor» e dispôs-se a fazer a vontade de Deus (Lc 1,38); desde então, nunca mais quis reaver a palavra dada. Acolheu e apoiou as pessoas, conduzindo-as a Jesus, como nas bodas em Cana (Jo 2,1-5). Serviu-as levando-lhes Jesus, como à sua prima Isabel, a quem deu tudo e só o que ela precisava: esquecida de si, do seu compromisso com José e da sua pouca idade, «dirigiu-se apressadamente» a sua casa e «ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa» (Evangelho). E no fim, «junto à cruz de Jesus», lá estava ela – «de pé» (Jo 19,25)! Fiel a Deus, como Deus é fiel para connosco.

«Escuta, minha filha, vê e presta atenção: / esquece o teu povo e a casa de teu pai» – exorta o Salmo. Como que a dizer-nos: vive a tua vida neste mundo sabendo que não tens aqui morada permanente, mas que, «desfeita a tenda deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire no céu» (Prefácio da Missa de Defuntos). Não estamos condenados à morte, mas chamados à vida – agora e para sempre!

Salvar-se: uma questão de amor

22 de Agosto

XXI Domingo Comum

Leituras: 1ª: Is 66,18-21;Sl 117,1.2; R/ Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova; 2ª: Heb 12,5-7.11-13; Evangelho: Lc 13,22-30. Semana I do Saltério

A celebração do Domingo passado poderá levar alguém a perguntar hoje: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Jesus responde falando da universalidade e gratuidade da salvação: está aberta a todos e não é mérito pessoal nosso. Mas temos de corresponder ao amor de Deus, esforçando-nos «por entrar pela porta estreita», pois Ele não “reserva” lugares no seu Reino nem para aqueles que foram seus comensais ou ouvintes da sua Palavra.

Se praticarmos a iniquidade, «quando o dono da casa se levantar e fechar a porta» ficaremos de fora e não adianta mais bater: Ele não vai «conhecer-nos» como seus. «Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós serdes lançados fora» – diz Jesus. E mais: «Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos» (Evangelho).

Vem muito a propósito a Carta aos Hebreus: «Meu filho, não desprezes o correcção do Senhor, nem desanimes quando Ele te repreende; porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho» (2ª Leitura).

Ser cristão não é um negócio com direito a desconto, mas uma exigência livre que se impõe a si mesmo quem ama. Para o crente, o “castigo” de Deus não é fonte de revolta, mas apenas um desafio a mais amor e fidelidade para com Ele. O caminho, bem o sabemos: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor: ninguém vai a Pai senão por mim» (Jo 14,6: Refrão do Aleluia). Mais uma vez, conhecer, amar e seguir o Mestre. Por Ele chegaremos ao Pai – à salvação.

“Quanto mais importante, mais humilde”

29 de Agosto

XXII Domingo Comum

Leituras: 1ª: Sir 3,19-21.30-31;Sl 68,4-7.10-11; R/ Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma casa para o pobre; 2ª: Heb 12,18-19; Evangelho: Lc 14,1. 7-14. Semana II do Saltério

Face à gratuidade da salvação (Domingo passado), a única atitude “sábia” é a humildade. Daí o conselho de Ben Sira: «Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado que o homem generoso. Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor» (1ª Leitura).

O Salmista confirma: «Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma mesa para o pobre» (Salmo). E Jesus vem apoiá-lo com a parábola dos convidados à boda: quem se senta no primeiro lugar, sujeita-se a ser enviado para o último; quem se senta no último é convidado a ir mais para cima. «Quem se exalta será humilhado, quem se humilha será exaltado» (Evangelho).

Não se trata de qualquer estratégia para tirar maiores proventos a médio prazo, nem para ser mais admirado, mas porque é a atitude mais sensata e mais conforme ao que somos realmente. O resto é aparência ou “vacuidade”, como nos disse Coelet no Domingo XVIII.

A Liturgia apresenta-nos o exemplo do próprio Jesus, no Refrão do Aleluia: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). E a Carta aos Hebreus insiste: o nosso modelo é «Jesus, mediador da nova aliança» (2ª Leitura).

Santos: realistas e sábios

05 de Setembro

XXIII Domingo Comum

Leituras: 1ª: Sb 9,13-19;Sl 90,3-6.12-14.17; R/ Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações; 2ª: Flm 9b-10.12-17; Evangelho: Lc 14,25-33. Semana III do Saltério

Quem aspira à santidade, não pode tirar os pés do chão. Jesus interpela-nos hoje com duas parábolas paralelas, exclusivas de Lucas: a do homem que se pôs a construir uma casa sem calcular a despesa, e por isso não pôde concluí-la, e a do rei que partiu para a guerra contra outro rei sem saber os soldados de que dispunha para vencê-lo.

A lição de ambas é a mesma: Sede realistas! Sentai-vos, primeiro, a ver se tendes forças para serdes meus discípulos, isto é, para pegar na minha cruz e me seguir, antes de vos pordes a caminho com muito voluntarismo e pouca solidez na fé e na vontade.

Jesus, em Lucas, não disfarça a crueza e radicalismo das exigências: «Se alguém vem ter comigo, sem me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo.» Para concluir as duas parábolas: «Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo» (Evangelho).

Temos aqui algo de parecido com a parábola de quem constrói a casa sobre a rocha ou sobre a areia: não podemos construir o edifício de uma vida nova sobre ruínas ou entulho de opções anteriores não totalmente ultrapassadas; o terreno tem de estar limpo e sólido, as opções de futuro têm de ser assumidas com a maior consciência e o maior realismo possíveis. É tudo questão de ouvir as palavras de Jesus e pô-las em prática (ver Lc 6,46-49).

Às vezes, poderá não bastar a “sabedoria do coração” ou a simples humildade, que reflectimos em Domingos anteriores; essas, porém, são imprescindíveis. Por isso, ao ver-se confrontado com o encargo de conduzir o seu povo como rei, sendo ainda tão jovem, Salomão dirigiu-se ao Senhor: «Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso santo espírito?» (1ª Leitura).

Se pensarmos nisso, logo rezaremos como o Salmista: «Fazei brilhar sobre mim, Senhor, a luz do vosso rosto / e ensinai-me os vossos mandamentos» (Refrão do Aleluia). «Ensinai-nos a contar os nossos dias, / para chegarmos à sabedoria do coração» (Salmo). Outra vez, e sempre, a “sabedoria do coração”!

Uvas verdes, ou ramada alta?

12 de Setembro

XXIV Domingo Comum

Leituras: 1ª: Ex 32,7-11.13-14; Sl 51,3-4.12-13.17. 19; R/ Vou partir e vou ter com meu pai; 2ª: 1 Tm 1, 12-17; Evangelho: Lc 15,1-32. Semana IV do Saltério

A fábula já é antiga: ao ver que não chegava à altura da ramada, a raposa disse que as uvas estavam verdes… A lição deste Domingo pode ser: muitos, não querendo ou não podendo viver as exigências do amor cristão, criticam as normas da Igreja ou dizem que Deus não é bom porque a vida lhes corre mal. E trocam de “religião” ou escolhem qualquer “ídolo” do seu tamanho que lhes faça a vontade.

Aconteceu com o povo de Israel conduzido por Moisés no deserto: trocou Deus, que o libertara do Egipto, por um bezerro fundido com o ouro que de lá trouxera. E acontece connosco: para satisfazer a nossa vontade, sujeitamo-nos a todos os sacrifícios e até ao ridículo (1ª Leitura).

Aconteceu com o filho mais novo da parábola do pai misericordioso: farto das exigências do pai e do irmão mais velho, pediu a herança antecipada, desbaratou-a e acabou a guardar porcos. E aconteceu com «os fariseus e os escribas», como acontecerá connosco, se continuarmos a julgar «os publicanos e os pecadores » em vez de os procurarmos como o pastor procura a sua ovelha, ou a mulher a sua moeda perdida, e os acolhermos como o pai acolheu o seu filho (Evangelho).

Com Paulo, «dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia» (2ª Leitura).

Pois, «em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo e confiou-nos a palavra da reconciliação» (Refrão do Aleluia).

De facto, qualquer conversão ou fidelidade é sempre uma graça de Deus imerecida por nós. Por isso, na Palavra de hoje, a gratuidade de Deus desafia-me à conversão! Qual filho perdido, ao sentir-se entre animais, como um deles, a disputar o seu alimento: «Vou partir e vou ter com meu pai.» Ou como David: «Compadecei-vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade; pela vossa grande misericórdia, apagai o meu pecado» (Salmo).

E Deus vai estar mais uma vez, à porta do seu coração donde nunca devíamos ter saído, para nele nos acolher de novo.

Na linha da justiça

19 de Setembro

XXV Domingo Comum

Leituras: 1ª:Am 8,4-7;Sl 113,1-8; R/ Louvai o Senhor, que exalta os humildes; 2ª: 1 Tm 2,1-8; Evangelho: Lc 16,1-13. Semana I do Saltério

Os últimos Domingos do mês apontam para os mais pobres, a interrogar-nos sobre as consequências práticas da fé que celebramos na igreja. Este vai na linha da justiça.

O profeta Amós adverte, sem ambiguidade: «Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra… o Senhor jurou pela glória de Jacob: “Nunca esquecerei nenhuma das suas obras”» (1ª Leitura). E o Salmista garante que o Senhor «levanta os fracos» e «tira o pobre da miséria» (Salmo).

No Evangelho, Lucas conta a parábola exclusiva do administrador sagaz, para concluir: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» E o Refrão do Aleluia propõe-nos o modelo: «Jesus, sendo rico, fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8,9).

Não sei quantos cristãos e até consagrados com o voto de pobreza acreditaremos nisto, vivendo a renúncia de bens para cumprir a partilha solidária. Mas todos sabemos apontar gestores públicos ou políticos, que até se confessam agnósticos ou ateus, e divulgamos e-mails onde são questionados os seus salários chorudos ou participações escandalosas nos lucros. Também aqui, deveríamos bater, antes de mais, com a mão no próprio peito; e a nossa tão apregoada “ética de Escuteiros” deveria começar em casa.

Seja como for, na contenção da riqueza e na moderação do consumo não deveria mover-nos apenas a real carestia de muitos neste momento, mas o sentido de equidade e de humanismo assente no direito de acesso aos bens que o Criador dispôs na mesa do mundo para todos os seus filhos.

O amor ao próximo, teste do amor a Deus

26 de Setembro

XXVI Domingo Comum

Leituras: 1ª: Am 6,1a.4-7; Sl 146,7-10; R/ Ó minha alma, louva o Senhor; 2ª: 1 Tm 6,11-16; Evangelho: Lc 16,19-31. Semana II do Saltério

Mais uma vez, este Domingo interpela a nossa indiferença face às carências dos excluídos e aos problemas do país. De novo Amós: «Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria… Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José» (1ª Leitura). Tanto na capital, como na “província”, no sector público ou no privado.

E Lucas, na parábola exclusiva do rico e de Lázaro: «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas.» Só os cães tinham compaixão dele e vinham lamber-lhe as chagas! Mas, do outro lado da vida, as sortes inverteram-se. Porque a salvação, embora não se confine a este mundo, é neste que se ganha ou perde (Evangelho).

Por isso, Paulo exorta: «Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade» (2 Leitura).

Também o Salmista regressa com a garantia do último Domingo: «o Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos oprimidos, levanta os abatidos, protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva» (Salmo). O qual não nos deve desmobilizar dos nossos próprios compromissos, pois Deus faz isso por nossa mediação, levando os que têm ou podem repartir com os que não têm ou a valer aos que não podem.

O Refrão do Aleluia repete a lição do Domingo passado, evocando o exemplo de Cristo. Só falta imitá-lo. Na verdade, a causa da fome no mundo não é a carência de bens, mas o açambarcamento por alguns ou a sua destruição para manter os preços!

CONCLUSÃO: dois amores, duas comunhões

Ao jeito do Catecismo, o bispo de Tortosa conclui o seu “Decálogo para Férias”, de que falámos no início: «Estes dez pontos resumem-se em dois: nas férias continua a lembrar-te de Deus e do próximo. A vida é o presente que Deus te oferece. O modo como vives a vida é o presente que tu ofereces a Deus.»

Que a boa celebração do Domingo, participando na dupla comunhão da Palavra e do Corpo do Senhor, nos mantenha fiéis no amor a Deus e ao próximo. Já hoje.

Lopes Morgado

Fonte: WWW.capuchinhos.org

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