Pela educação libertadora a Comunidade coloca-se em situação de formação permanente, de diálogo e na mística da transformação. Podemos dizer que o jeito de ser do nosso tempo é “ser em processo”, estar em processo de formação, diálogo e dinâmica de transformação.
A educação libertadora torna-nos humanos e livres: ajuda-nos a confrontar-nos com os limites da nossa situação e com as possibilidades dos ideais e do desejo e a optar para fazer história concreta.
Por natureza somos limitados e atraídos e, aí está o jogo da nossa liberdade. Vamos sendo livres à medida que fazemos opções responsáveis em função dos valores que queremos viver. Não somos a liberdade e nem todo-poderosos. A pessoa livre sabe lidar com suas fragilidades, conhecê-las, acolhê-las e, ao mesmo tempo, não pára nelas, pois sente-se atraída para a consumação de ideais. Somos limitados, mas perfectíveis.
Nossa pedagogia coloca-nos em diálogo conosco mesmos, com nossa realidade pessoal; com os outros, os jovens, a comunidade, a Humanidade; com a História e com Deus. Esta riqueza de relações constitui o processo de conscientização que acontece à medida que conscientemente a pessoa vai arriscando viver.
A educação libertadora acontece em grupo, em comunidade, em sociedade e isso não exclui a necessidade de cada um aprender a ser autônomo e a caminhar com as próprias pernas.
Os desafios do trabalho da missão pedem que sejamos pessoas confiantes e livres, capazes de anunciar e interpelar, despertando e apoiando em cada pessoa o processo de crescimento pessoal e de transformação social. Como pessoas livres contribuiremos para fazer povo solidário e fraterno.
A eficácia da nossa vida está na vivência dos valores do Evangelho. A verdadeira liberdade só se alcança nessa busca.
A educação libertadora constitui em nós um jeito de ser criativos, abrindo possibilidades de dar respostas novas a situações novas e velhas. Devemos cuidar para que as avaliações da vida que fazemos, não se tornem um meio de ficar sempre cobrando as mesmas coisas, agarrados a pequenas coisas, esquecendo objetivos maiores. Nosso processo de ação-reflexão-ação pode tornar-se um desgaste sem proveito nenhum.
Para que haja uma boa integração do negativo é preciso ter: reconhecimento e aceitação; reconciliação-perdão; transformação-integração, em que o negativo torna-se força, descoberta de nova riqueza, “na fraqueza é que sou forte”. A integração do negativo como força da vida constitui o último momento do processo de ser livre, em que a pessoa por esta integração torna-se alguém que realmente se estima e é livre para agir.
No processo da educação libertadora é importante a descoberta que cada um faz. Certos condicionamentos podem levar a que a pessoa não descubra e não assuma atitudes novas. É preciso aprender a viver no confronto, abrindo-se e não defendendo-se. As atitudes de defesa são normalmente insconscientes e é necessário que alguém ajude a que sejam quebradas. Só correndo o risco de partilhar o que se é, os sentimentos, as vivências, cada um vai flexibilizando o seu sistema defensivo.
A educação libertadora deve levar-nos a nos preparar para estabelecermos verdadeiras relações de ajuda, com acolhimento, empatia, compreensão e interpelação, em vista do crescimento. Como ser semente de libertação? Como criar laços com o jovem esfacelado que está aí, que nem acredita que pode fazer processo?
A gratuidade da ação libertadora é o sinal de nossa liberdade.
Comunidade de Belo Horizonte/2002