Comunidade Shalom

Bento XVI

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz

O papa Bento XVI divulgou a Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz, que acontece no próximo dia 1º de Janeiro de 2010. Com o tema “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”, o pontífice enfatiza no texto a importância de respeitar a natureza, já que trata-se do “princípio e o fundamento de todas as obras de Deus”.

Bento XVI alerta para a crescente degradação ambiental que faz com que “vários países e regiões da terra, experimentem dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável”. Outro ponto frisado no texto é a questão da economia, que, segundo o pontífice “tem consequências de caráter moral”.

Sobre as mudanças climáticas, o papa chama a atenção para o uso de estratégias de desenvolvimento centradas em políticas idôneas para “a gestão de florestas, o tratamento do lixo, avalorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza”. Ainda segundo o pontífice “a mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra [...]”.

Fonte: www.cnbb.org.br
29 de dezembro de 2009

Preserva a Criação

O Santo Padre Bento XVI, no início deste Ano Novo de 2010, Dia Mundial da Paz, brinda a sociedade mundial com sua mensagem, tendo escolhido como tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A paz é o dom maior para garantir o equilíbrio do desenvolvimento na sociedade e na articulação dos diversificados cenários na ordem mundial. Esta paz, querida por todos, inclui, como assinala o Papa, o crescimento da consciência do quanto é fundamental o respeito pela criação, que é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus. A salvaguarda desta criação é essencial para a convivência pacífica da humanidade.

Não se pode desconsiderar que entre os inúmeros perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral se encontra a triste depredação e desrespeito à natureza. Ora, entre as ameaças à paz, como guerras, conflitos internacionais e regionais, violações dos direitos humanos, violências e atos terroristas, estão também o desleixo e os abusos perpetrados contra a mãe terra e os bens naturais concedidos por Deus através dela. Há uma aliança indispensável a ser renovada entre o ser humano e o ambiente, que é um indiscutível espelho do amor criador de Deus. Tudo vem d’Ele.

Não se pode alimentar no coração humano a pretensão do poder e da posse que fecundam o orgulho e a tirania do uso desarvorado dos bens que são dons para todos. O Papa Bento XVI, em sua mensagem, recorda a Carta Encíclica Caritas in veritate, que “o desenvolvimento integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos. Por isso, sua utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente para com os pobres e as gerações futuras”. Esta responsabilidade não pode ser atenuada nas consciências de forma a considerar a natureza e o ser humano como meros frutos do acaso e do determinismo evolutivo. Na verdade, esta é uma hora de empenho redobrado para desenvolver a consciência de responsabilidade como coração da vivência cidadã.

É sumamente importante, assinala o Papa Bento XVI, “conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade”. Esta compreensão ajuda a perceber a real vocação e o valor do homem. A criação deve ser, antes de tudo, olhada na sua beleza para despertar a sensibilidade que faz descobrir o amor do criador nela manifestado, proporcionando uma consequente capacidade humanitária e social para presidir o tratamento adequado desta mesma natureza. Por isso, no Dia Mundial da Paz, o Papa lembra a responsabilidade que a Igreja tem, enquanto perita em humanidade, de chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Esta é uma tarefa indispensável, na qual a Igreja participa e tem um claro compromisso, para além das soluções técnicas específicas, típicas de cientistas e de governantes.

Torna-se, pois, de grande importância, iluminar os caminhos para a superação da grave crise ecológica que vivemos neste momento da história com a explicitação das questões relacionadas com o conceito de desenvolvimento e a visão do homem e de suas relações com a criação e com os seus semelhantes. Os governantes estão permanentemente desafiados a buscar uma profunda e clarividente revisão do modelo de desenvolvimento. Particularmente, esta revisão toca o núcleo central da economia, implicando rever seus objetivos e corrigir suas disfunções e deturpações.

O Papa Bento XVI observa que não é difícil constatar como a degradação ambiental é, muitas vezes, “o resultado da falta de projetos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses econômicos”. A ausência de governos responsáveis torna ainda mais notória a situação de risco vivida por grande número de pessoas, países e regiões, que experimentam realidades incompatíveis com a dignidade humana e que ameaçam, inclusive, a sua própria sobrevivência.

Mas a responsabilidade governamental não se resume a um pensamento orgânico e técnico em torno das questões econômicas específicas. É inteligente o governo que orienta sua ação como busca expressa de meios, procedimentos e práticas que garantam a superação da crise ecológica que está comprometendo o presente e a vida das gerações futuras. A paz é fruto da preservação da criação!

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

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