Construídos pela BondadeO nascimento de uma criança muda a vida da gente. A gente se prepara, espera, às vezes com ansiedade, se prepara por dentro e por fora. Fazemos projetos, sonhamos a partir dessa criança. E, quando a criança nasce, pegamo-la nos braços e ela nos enche de ternura, de amor, de paz. A alegria inunda o nosso rosto. O nascimento de uma criança leva-nos a experimentar o que é profundamente humano.
Também nos preparamos para o nascimento de Jesus. E, depois, vamos à cabana de Belém, junto com os pastores, onde nosso coração se extasia de contentamento. Pegamos Jesus em nossos braços e Ele desperta em nós a utopia do coração humano: fraternidade, ternura, reconciliação, proximidade, verdade... tantos valores que nosso coração anseia! Pela Encarnação vemos que não são apenas valores da utopia humana: são o sonho de Deus. Entramos na cabana e sentamo-nos, para contemplar a proximidade do mistério de Deus. Deixamo-nos construir pela bondade.
Sendo construídos pela bondade, somos pessoas simples, cheias de luz, amigas da Vida.
Jesus é a luz. Ser luz é ser limpo, transparente, integrado. A pessoa que vive na luz é constituída na simplicidade; a que não vive na luz é complicada. Significa que quando não estamos na luz, nosso ser não se integra, nossas energias se perdem. Ficamos opacos, perdidos em nós mesmos ou dentro da realidade.
Jesus é a Vida, “eu sou a Vida”. Ao ver Jesus tão dentro de nossa humanidade, nos percebemos vida na Vida que Deus é para nós. A vida humana torna-se caminho para Deus. O encontro com Deus faz-se em nós, através de nós.
Entramos na cabana para ver Jesus e, assim, chegar à reconciliação, à paz, ao Shalom.
Pe. José Luís, CSh
ENCARNAÇÃO“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória que ele tem junto do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade” (J0.1,14).
O Verbo estava em diálogo íntimo e dinâmico com o Pai, na mais perfeita comunhão e distinção. Tão sublime comunhão de Amor abre-se para o mundo. Essa abertura dá-se por meio do Verbo que, para realizar a sua missão, “se fez carne”, existência humana, limitada e mortal.
A carne e a glória estão inseparavelmente unidas entre si. A glória de Deus manifesta-se em Jesus.
O Verbo “habitou entre nós” significa, literalmente: “armou tenda entre nós”. No A.T., Deus manifestava-se a Israel no deserto, na tenda do encontro. Mais tarde a tenda tornou-se o templo de Jerusalém. Na tenda, Deus morava no meio de seu povo, tornava-se presente, deixava-se encontrar. Para nós, o lugar onde Deus mora e nós o encontramos é, por excelência, a Palavra de Deus feita carne.
O Filho é “cheio de graça e de verdade”. A Graça é dada de graça, não em virtude de alguma obrigação. Ela exprime a pura bondade e livre iniciativa de quem a oferece. Contudo, apesar de gratuita, ela é exigente, como toda a amizade que pretende ser duradoura. O termo “verdade’, que geralmente complementa o termo “graça”, realça a firmeza duradoura e a veracidade dessa atitude de aliança. A “graça e a verdade” são o Amor fiel e leal de Deus, que em Jesus se torna presente e visível. Na “carne” que é Jesus, contemplamos a glória de Deus que é seu amor e fidelidade. Isso se verifica, sobretudo, quando Jesus se despoja de sua vida, impulsionado por um amor fiel até ao fim.
Paula, CShf