Comunidade Shalom

Como Fazemos

Processo ao serviço do crescimento da Pessoa Humana

A Missão da Comunidade Shalom

Por vocação, os consagrados encontram-se voltados para a missão. A missão evangelizadora dos consagrados na Igreja consiste mais no que os consagrados são, do que naquilo que eles fazem. «A sua vitalidade, portanto, mede-se por este ser de Deus e para Deus, mais do que pelo fazer , embora não deva haver dicotomia entre o ser e o agir «. 1 O decisivo na Vida Consagrada, a sua dimensão constitutiva é o ‘significar' , um ser e um fazer que sejam significativos.

A missão da Comunidade Shalom pretende juntar estes pólos, vivendo a consagração pela comunhão com Deus Trindade no seguimento de Jesus Cristo e pela Vida Fraterna, em ordem ao serviço de evangelização dos Jovens. Chamada a ser uma ‘Tenda da Aliança entre Deus e os Jovens', a missão da Comunidade Shalom concretiza-se de maneira preferencial na assessoria ao processo de Educação na Fé dos jovens, inserido no MEJ Shalom.

A assessoria inserida num Processo

Cada fase do processo de Educação na Fé no MEJ Shalom tem os seus objectivos específicos, de acordo com a caminhada/maturidade das pessoas e do grupo. Assumido este facto, ele conduz-nos à exigência de um fio condutor que, por um lado, una todas as fases à volta de uma finalidade e, por outro lado, contribua para que se dêem passos concretos nesse sentido.

A finalidade do Movimento Shalom, no qual o processo se insere, pode ser sintetizada em três pontos: santificação pessoal, busca e compromisso com o Reino de Deus e vivência eclesial. Trata-se de um objectivo ao mesmo tempo pessoal e comunitário . Para atingir este objectivo é necessário um processo lento e gradual, 2 que esteja organizado em ordem a um crescimento integral da pessoa humana . 3

O processo de evangelização deve, pois, estar ao serviço do crescimento dos jovens, em todas as suas dimensões. Mais do que etapas sucessivas (cronológicas), todas as dimensões do crescimento integral do jovem devem estar presentes nas três fases que o compõem a metodologia do Movimento: Pré-encontro, Encontro Inicial e Pós-encontro.

O processo é feito em grupos inseridos nas Comunidades-Paróquias (articulados com a pastoral da paróquia e da diocese). Os grupos são lugares de crescimento e meios de trabalho em Igreja (sobretudo na evangelização de outros jovens) e na sociedade, assumindo os desafios de cada realidade.

A Pedagogia da Comunidade Shalom

A pedagogia da Comunidade Shalom está baseada na Educação Libertadora (partindo da realidade e iluminando-a com as ciências, a Palavra de Deus e da Igreja), potencializada pelo carisma, missão e espiritualidade, enriquecida com a experiência de vários anos e adaptada à nossa realidade, num processo de Acção-Reflexão-Acção, feito em grupo.

Em termos práticos, esta pedagogia traduz-se no acompanhamento do grupo em todo este processo de maneira subsidiária, a nível teológico e pedagógico pela Comunidade Shalom. Na fase de Pré-Encontro, proporciona-se um tipo de acompanhamento mais próximo e frequente de animadores jovens, que inclui a presença nas reuniões do grupo (animando reuniões e ajudando a preparar outras) e animação do curso de Relações Humanas. Na fase de Pós-Encontro, quando o grupo se organiza para caminhar por si mesmo, a nossa assessoria restringe-se mais à animação de Cursos e E ncontros de aprofundamento e ao acompanhamento das Equipas Coordenadoras .

Dimensões do Crescimento Integral

De forma sintética, apresentamos as diferentes dimensões que compõem o Processo a assessorar e que em cada realidade onde a Comunidade Shalom está tem um modo próprio de se realizar.

Dimensão Humana: auto-conhecimento (personalização)

Esta dimensão responde às necessidades de amadurecimento afectivo e formação positiva da personalidade . É a busca constante de uma resposta, não especulativa mas existencial, à pergunta: “ Quem sou eu ”?

Nesta dimensão, o jovem procura conhecer-se, aceitar-se, assumir-se, como também procura desenvolver as suas aptidões e qualidades e os seus sentimentos e interesses com relação aos outros. A educação na fé é concebida como auto-aceitação , humanização , busca de sentido da vida e opções de valores .

Relações humanas (integração) afectividade-sexualidade

Corresponde à dimensão da descoberta do outro como ser diferente e do grupo como lugar de encontro . O grupo é o espaço onde o jovem descobre, de modo concreto e vivencial, a necessidade de realizar-se como pessoa, na relação com o outro. Este processo de amadurecimento conduz a uma progressiva abertura para as relações interpessoais, reconhecendo nos outros, valores, diversidades e limites. Na comunidade, torna-se participante activo e criativo da sua própria história. A educação na fé é concebida, aqui, como caminho a ser percorrido comunitariamente .

Dimensão social, política, cultural: transformar a sociedade com os valores do Evangelho

Corresponde à dimensão da inserção do jovem na sociedade. Trata da convivência social com relações de justiça e solidariedade, com igualdade de direitos e deveres. Capacita o jovem para ser cidadão consciente, sujeito da história nova, com participação crítica em favor da justiça e da vida digna para todos. Educa o jovem para a cidadania.

Esta experiência leva o jovem a confrontar-se com problemas cuja solução exige convergência de esforços e vontade política. A promoção do bem comum e a construção de uma ordem social, cultural, política e económica humana, justa e solidária, torna-se um compromisso de fé. A educação na fé é concebida como acção transformadora da complexa realidade sócio-económica-política e cultural .

Dimensão teológico-espiritual: aprofundamento da fé, espiritualidade, experiência de oração, discernimento vocacional

Esta dimensão trata da vivência e aprofundamento da fé do jovem, do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo e do seu seguimento em comunidade . Neste encontro com Jesus Cristo o jovem descobre n'Ele o sentido da sua existência humana pessoal e social; e na comunidade eclesial o lugar de alimentar e celebrar a vida na Fé. Passo fundamental nesta dimensão é integrar a fé na vida . A educação na fé é concebida como interpelação constante entre experiência de vida e formulações da fé . É necessário permitir que o faça uma experiência de Deus – espiritualidade - e ao mesmo tempo adquira uma compreensão da sua fé - teologia .

Dimensão pedagógica: desenvolver atitudes de animador libertado

Se a pergunta “Quem sou eu ?” é importante, e a questão do sentido a dar à vida, também o é, o “ Como fazer? ” é igualmente fundamental, pois é o que permite colocar em acção o processo de evangelização. A dimensão pedagógica capacita o jovem para desenvolver atitudes de animador libertador . Ninguém cresce ou aprende sozinho. Isso faz-se em grupo. Esta preparação técnica faz-se na própria caminhada do grupo em determinados momentos específicos. Por muitos dons que a pessoa tenha, para se transformar em verdadeiro animador, é sempre necessário a preparação técnica.

Ser animador passa pela capacidade de trabalho numa relação, num ambiente de diálogo e participação que proporcione o crescimento de todos, por isso, deve estar muito consciente do modo como pode desenvolver o seu trabalho. Esta dimensão é fundamental, ajuda os jovens a criarem um processo autónomo, onde são sujeitos do próprio processo.

Dimensão Recreativa e Lúdica

Cada vez mais, é necessário, nesta sociedade competitiva, criar espaços que contemplem o despertar criativo das pessoas . Estes espaços poderão ser de lazer e/ou de recreação, onde seja desenvolvida a dimensão criativa da pessoa, a sua gratuidade e alegria de fazer e transformar. Esta dimensão desperta o gosto pela vida, sem a obrigação do tempo ou a obrigação do produzir. É o nível da doação da vida, que se desenvolve como dom de liberdade e criatividade. Música, artesanato, convívio, tempo livre, actividades lúdicas..., onde a vida se faça oferta e se realize pelo gosto de ser, ser pessoa, numa relação prazerosa com os outros, o mundo, Deus e comigo mesmo. Esta dimensão leva à aprendizagem do prazer de existir, da beleza do ser pessoa . Estes espaços de recriação são cada vez mais escassos e na maior parte das vezes tomados como perda de tempo. Somos vencidos pela ilusão da eficácia, do tempo, do ter de produzir. Ao contrário disso, é preciso aprender a fazer pelo simples gosto de fazer, pelo gosto de criar, inventar...recriar. Quando se dá importância à pessoa como pessoa, necessariamente, estes tempos aparecem naturalmente.

Dimensão Ecológica

A educação ecológica é uma dimensão da educação integral. Pertencemos à grande Criação de Deus e nela encontramos os nossos símbolos e referências de vida, como num espelho onde o amor de Deus se reflecte em nós, se torna presente em nós. Comungar com a vida não se faz sem este acto de acolhimento à criação; isto exige o desenvolvimento da sensibilidade, da ternura e do reconhecimento da dignidade de todas as coisas criadas . Toda a Criação aspira a uma relação de harmonia e de respeito, pois todos os seres possuem dignidade e liberdade. A consciência ecológica exige que todos abracem a luta para erradicar da terra o espectro da fome, da miséria, das desigualdades sociais, injustiças e destruição da vida.

A sensibilidade ecológica começa a manifestar-se pela atenção às coisas que nos rodeiam: a nossa casa, o lugar da nossa existência, poderão tornar-se espelhos do nosso caminho. Caminho de harmonia com a Criação – dom de Deus. Se a Criação é dom, cabe a cada um de nós ajudar a criar um espírito de fraternidade universal com todos os seres criados.

1Instrimentum laboris, 8.

2 Um Documento da Pastoral Juvenil do Brasil (Marco Referencial da Pastoral Juvenil do Brasil, 1997) apresenta as seguintes fases no crescimento das pessoas, em grupo: a) descoberta do Grupo ; b) descoberta da Comunidade ; c) descoberta do problema social ; d) descoberta da necessidade de uma organização mais ampla ; e) descoberta das causas estruturais (análise social); f) descoberta do Compromisso – “Militância” (opção vocacional); g) descoberta das etapas percorridas (maturidade pedagógica).

3 Todo o processo de crescimento deve levar ao amadurecimento da opção vocacional no sentido amplo do termo, isto é, de dar uma resposta pessoal de adesão ao chamado de Jesus Cristo para o seguimento. O ponto de chegada deve ser a opção vocacional. O jovem que percorre todas as dimensões do processo de educação integral na fé assume o compromisso cristão vivenciado como opção pessoal, expresso na participação comunitária e na acção transformadora da sociedade, segundo um projecto de vida (ibid).

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