Colunistas

Pe. Luis Carlos

Pe. Luis Carlos

Identidade e Pertença

Há crise de identidade na Modernidade, como consequência das mudanças. A globalização também desfigura a identidade quer dos povos quer das instituições…
Por isso não admira que os jovens do Movimento desejem aprofundar a sua identidade.

O Movimento Encontros de Jovens Shalom é uma resposta concreta aos problemas dos jovens da Modernidade.
Ele nasceu na Igreja e do seu nome “Shalom” brota uma mensagem muito forte e vários conteúdos, até porque nasceu em terra e em tempo de guerra …
O nosso Movimento nasceu nos anos 60, portanto na Modernidade, e toda a sua ação, métodos e espírito são uma resposta concreta aos problemas reais dos Jovens... Através dos Encontros Iniciais (E.I.), dos Grandes Encontros (GE), Campanhas que envolviam todos os Grupos do país, como Guerra, Paz, Desenvolvimento, Dignidade da Mulher, Família, etc.
Identificar-se com o Movimento é assumir a sua história e continuar o seu ideal, que é evangelizar os jovens na sua realidade.
Se toda a gente fosse Shalom, seria uma pobreza para a Igreja, porque cada Movimento tem um carisma bem determinado que somente à Igreja Hierárquica compete discernir e aprovar.
Não somos melhores nem piores que os outros, somos diferentes! É nesta diferença que está a riqueza de qualquer Movimento. Somos diferentes dos outros na maneira de ser e estar no Mundo, vivendo uma espiritualidade própria, pondo em prática os valores que lhe estão agregados, evangelizando os jovens do jeito que o Movimento optou e com a pedagogia que o mesmo oficializou, usamos os mesmos meios de acção, temos a mesma estrutura e algo de peculiar que nos é próprio e alguns símbolos. Tudo isso fundamenta a identidade do Movimento.

Pertencer ao Movimento é dedicar-lhe amor, porque o Amor à Igreja passa pelo amor à Família Shalom. Pertencer ao Movimento é comprometer-se com o ideal do mesmo que é sintetizado no programa “Evangelização dos jovens pelos próprios Jovens” 

Fazia falta para o mundo de há 50 anos, e penso que para hoje também, sobretudo para os leigos jovens, uma espiritualidade viril, adulta e encarnada na realidade, própria para este tempo conturbado, de materialismo, indiferença e muito individualismo, onde havia um fosso entre a e a razão ou entre a vida religiosa e a vida do dia-a-dia.
A espiritualidade, até então, tinha a marca “monacal” centrada na oração… enquanto a nossa é fruto do Concilio Vaticano II, realizado na Modernidade. Mais não fazíamos do que colocá-lo em prática. É uma espiritualidade muito leiga, melhor dito, Laical, de forma a terminar com a dicotomia vida-profana/vida-religiosa, mais centrada na Evangelização (ação). A sua síntese era “ Plena eucaristia Dominical; leitura-meditação diária da Palavra de Deus e Ação Apostólica…”
Pertencer ao Movimento faz-nos ter um jeito próprio de ser cristãos e viver o Cristianismo no seu essencial. Leva-nos a uma abertura ao passado e ao futuro vivendo um estilo de vida próprio, através do diálogo, colocando em prática todos os valores que a nossa espiritualidade comporta.
Assim como o movimento deu respostas à modernidade... é importante que hoje também procure responder aos desafios da pós modernidade, utilizando o método de ação-reflexão-ação, que nos dará a garantia de acertar e estarmos atualizados.

Pe. Luís Carlos, CSh

luiscarlos@comunidadeshalom.org

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