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Juventude, Violência e Segurança Pública: Os Jovens querem ser construtores da Paz em Movimento

Vivemos em clima de insegurança, pois vemos a cada dia a nossa sociedade se tornar mais violenta. Insegurança gerada por vários fatores: violência familiar, tráfico de drogas, tráfico de seres humanos, trabalho escravo, violência contra a mulher, contra a juventude, violência policial, exclusão, entre outras. Queremos destacar aqui, de modo particular, a violência contra a juventude.

Assistimos todos os dias em nossos veículos de comunicação a matança de jovens em nosso país. Estes jovens têm algumas características: são jovens pobres, em sua maioria negros, moradores das periferias das grandes capitais. Segundo PIMENTA1 , a violência ganhou corpo, lugar, perfil, origem e cor da pele. Neste sentido, a violência restringe-se às classes populares e nos causa espanto e admiração quando os praticantes da violência vêm das classes média e alta. Poderíamos nos perguntar: os jovens são vítimas ou causadores da violência?

A violência atinge a juventude na medida em que se reproduz um discurso que acabou se tornando um estigma: se diz que todos jovens que residem em áreas de exclusão são causadores e ao mesmo tempo vítimas da violência. Assim se gera um novo fator de exclusão. Estes jovens vivem em uma situação de risco, pois têm pouca oportunidade de inserção no mercado de trabalho, baixa escolaridade, más condições de moradia. Assim estes jovens se tornam vulneráveis à ação de criminosos e são atraídos para o mundo do tráfico de drogas. Os jovens que procuram este caminho são atraídos pela oportunidade de sustento da família, pela necessidade de pertença a um grupo, de reconhecimento social. A vulnerabilidade se torna um aspecto que marca a vida destes jovens.

Para termos uma idéia, a pesquisa Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil. Juventude, Violência e Cidadania, nos mostra dados alarmantes:

Esta pesquisa tem a pretenção de oferecer pistas para a formação de políticas públicas que atendam à juventude e a fornecer estratégias para reverter a situação dos jovens no nosso país. Porém o que vemos são dados preocupantes sobre a situação dos nossos jovens. Diante destes dados podemos nos perguntar: qual é a causa de tanta violência? Em que tipo de sociedade estamos vivendo? Que tipo de sociedade estamos construindo? De que forma estamos cuidando da juventude deste país?

Diante deste quadro, quando se discute juventude e violência fala-se em redução da maioridade penal, de construção de mais presídios. Reduzir esta discussão apenas a estes aspectos é muito pouco e significa deixar passar o momento de se pensar a sociedade brasileira e seus rumos.

Pistas de Ação

Nas discussões sobre segurança pública se exigem ações rápidas para minimizar a situação de insegurança na qual vivemos. Porém não se reflete sobre as causas que geram a situação de insegurança. Sobretudo com relação às causas de vulnerabilidade em que se encontram as massas excluídas da nossa sociedade, entre elas os jovens. Ações contra as causas de insegurança são deveras necessárias e devem se tornar prioridade para a sociedade civil, Estado e Igreja.

A juventude, quando se expressa, chama a nossa atenção para algumas necessidades: sonho de ter um bom trabalho que possa lhes proporcionar uma vida digna; sonho de mudar as estruturas da sociedade; desejo de discutir em espaços favoráveis (família, grupos de jovens, sociedade) assuntos que fazem parte de sua condição de ser jovem; desejo de fugir de tudo aquilo que gera a violência e que provoca a morte. A morte é um dos maiores medos da juventude.

Tendo em vista estas necessidades faz-se necessário criar condições e espaços onde os jovens processem o seu desenvolvimento e realizem uma inserção na sociedade de forma satisfatória.

A preocupação com a juventude é urgente. Por isso se visa estruturar políticas públicas voltadas para a juventude que contemplem seus interesses e necessidades.

É sabido que as políticas públicas de juventude se limitam apenas a ações educativas, sócio-culturais e esportivas de algumas instituições a fim de preparar os jovens para a vida adulta. Por isso é urgente elaborar um conjunto de ações em diversas frentes, sobretudo as que visem favorecer a autonomia e o protagonismo juvenil.

Para PIMENTA2para se elaborar um conjunto de ações que visem estruturar uma política pública voltada para a juventude precisamos tomar alguns cuidados:

Considerações Finais

A paz, a justiça e a segurança devem ser mais do que propostas. Estas devem fazer parte de uma cultura e de uma consciência pessoal, social e mundial: criar uma cultura de paz onde todos tenham vida e a possam realizar plenamente.

A paz é uma tarefa permanente da comunidade humana3. Todos nós devemos colaborar para a instauração de uma sociedade justa, fraterna, solidária. A paz que queremos construir é o Shalom, que signifia a paz em plenitude. Shalom significa justeza, equilíbrio, saúde, ser inteiro, defesa da vida. Jesus disse: “A paz esteja convosco” (Lc 24, 36). O Shalom esteja convosco!
Os jovens clamam por paz. Estes carregam a esperança como um hino. Os jovens têm ânsia de paz.

“Quem são estes que trazem a esperança no sangue e são o futuro de qualquer presente? Quem são esses que abrem caminhos de agora como sementes de uma terra nova? Quem são esses que enchem a vida de encanto e poesia do rosto de Deus? Quem são eses que levam o Cristo Irmão, porque é verdade, porque é razão da sua existência?

São os jovens que desejam ser construtores da paz. Desejam ser construtores do presente com a seiva do futuro. Os jovens querem ser a “A Paz em Movimento.”

Jorge Luis

jorge@comunidadeshalom.org

1,2Cf: http://www.espacoacademico.com.br/075/75pimenta.htm

3CNBB. Fraternidade e Segurança Pública: Texto-base CF 2009, n. 238.

Referências Bibliográficas.

Conferência Nacional dos Bispos doBrasil. Campanha da Fraternidade 2009. Texto-base. Brasília, Edições CNBB, 2008.

Revista Vida Pastoral. Março – Abril de 2009. Ano 50. n. 265.

ABRAMOVAY, Mirian e FEFFERMANN, Marisa. Se ficar o bicho come, se correr... Revista Sociologia. Ciência e Vida. Edição Especial. Ano 1, n. 2. São Paulo, 2007.

PIMENTA, Carlos Alberto Maximo. Juventude, Violência e Políticas Públicas. Site: http://www.espacoacademico.com.br/075/75pimenta.htm

Instituto Cidadania. Projeto Juventude. Site: www. Projetojuventude.org.br.
WAIASELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da violência IV: os jovens do Brasil. Brasília, 2004.

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