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Jorge

As Quatro etapas do Diálogo

Esta é uma proposta de um caminho interessante elaborado pelo Pontifício Conselho para o Dialogo inter-religioso. O Pontifício Conselho apresenta quatro etapas para se buscar um diálogo com pessoas de outras tradições religiosas.

1. Diálogo na vida

Convivemos com pessoas todos os dias: parentes, vizinhos, colegas de trabalho, de faculdade e outras que encontramos ao longo do nosso dia. Com estas pessoas vamos construindo uma rede de relações de amizade. Estas relações nos aproximam de pessoas de crenças e tradições religiosas diferentes da nossa. E podemos perceber que há algo de bom nestas pessoas que receberam de suas tradições religiosas. Desta forma, é possível ter uma atitude de respeito pela crença do outro.

2. Diálogo das obras

Ninguém consegue ficar indiferente frente a situações que põe em risco a dignidade humana. Em situações de emergência, a solidariedade une as pessoas. Acompanhamos atentos a tragédia que as chuvas provocaram em Pernambuco e Alagoas; vemos a iniciativa de muita gente que procura ajudar os outros a reerguerem suas vidas e a de muita gente que perdeu tudo nas enchentes. Nesta ação bem concreta vemos trabalhar lado a lado pessoas cristãs católicas, cristãs de outras igrejas, não católicas e até pessoas de outras religiões. E isso não as incomoda. Este fato concreto pode nos ajudar a perceber a união das pessoas em torno de uma obra boa. As pessoas se sentem realizadas quando são capazes de se doarem, de serem úteis. Daí descobrimos que a fé do outro o motiva a realizar boas ações e assim vamos aprendendo a respeitar a crença do outro que produz frutos bons.

3. Dialogo da experiência religiosa (ou de oração)

A experiência de oração é, sem dúvida, um caminho de unidade entre as pessoas. Duas pessoas podem encontrar-se para rezarem juntas, mesmo pertencendo a religiões diferentes ou a Igrejas diferentes. Cada um, dentro de sua tradição religiosa, pode expressar a sua oração em alta voz ou de forma silenciosa. Quando há maturidade de fé e abertura das pessoas, é possível participar de cultos de grupos diferentes para poder conhecer a riqueza espiritual que alimenta a vida do outro. Podemos fazer descobertas significativas sobre a profundidade da espiritualidade de outras Igrejas e Comunidades cristãs. Isto, além de alimentar o progresso do dialogo, faz com que descubramos as riquezas espirituais que ajudam a enriquecer a nossa própria fé.

4. Diálogo de intercâmbios teológicos (ou seja, de doutrinas)

Pessoas estudiosas e especialistas que são capazes de estudarem juntas pontos controversos da doutrina das varias Igrejas, a fim de buscar um caminho de maior unidade e entendimento. Aqui não se trata de uma disputa de ver quem sabe mais ou quem tem razão. O estudo deverá ser feito na perspectiva de uma "busca fraterna e solidária daquilo que pode ser partilhado por todos." Um cristão comum, que não tem estudo teológico aprofundado, estará na situação em que tenha que explicar para os outros o jeito de ser da sua Igreja e suas práticas. O dialogo poderá ser tranqüilo ou conflituoso. Explicar os pontos de vista de sua tradição religiosa, as razões da fé que professa, com retidão e sem assumir uma postura de enfrentamento não é tarefa fácil. Mas se passamos pelo dialogo da vida, das obras e da oração, certamente criaremos uma postura diferente: atitude de respeito, de liberdade, de empatia, de solidariedade, sempre buscando o caminho da concórdia e da unidade.

Jorge Luís Benfica Nascimento

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