
Tens diante de ti o paradigma da terra e o paradigma da guerra.
O da terra é o da Criação casa de Deus, morada do Altíssimo;
O da guerra é o dos impulsos humanos.
O da terra é o paradigma indígena, da terra habitação da Humanidade, a pátria comum;
O da guerra é o paradigma da cobiça, do individualismo, do imperialismo, da exclusão.
O da terra é o da ternura da grande mãe terra, do acolhimento, da gratuidade, da verdade da terra;
O da guerra é o da repressão, da conquista, do lucro, da exploração.
O da terra é o da reconciliação, da misericórdia, da fraternidade, da simplicidade, da paz;
O da guerra é o do conflito, da imoralidade, do engano, da falsificação.
O da terra é da abundância, da fecundidade, da partilha, da vida;
O da guerra é o do esgotamento, da destruição, do vazio, da morte.
Tens diante de ti os paradigmas da terra e da guerra.
O caminho da terra começa pelos pés descalços:
“Como são belos os pés que sobre os montes anunciam a paz” (Is 52,7);
“Tira as sandálias que a terra que pisas é sagrada” (Ex 3,5).
O caminho da guerra começa por umas boas botas de guerra ou do consumo.
Os pés descalços estão prontos para acolher a ternura da terra, a ternura da vida.
As boas botas estão prontas para pisar e esmagar o que aparecer pela frente.
Já sentiste como és simples, descalço;
E como te sentes poderoso de botas ou com uns bons sapatos.
Já sentiste como é gostoso andar de pés descalços na areia da praia, na grama verde de um pasto, ou no chão de terra de um caminho.
Já sentiste como é poderoso entrar na sala batendo o tacão, de sapatos brilhantes nas luzes dos olhares.
Olha por ti acima e percebe em ti o caminho da terra
E também os apetrechos da guerra.
O caminho da terra é barato; o caminho da guerra é caro.
Vê a aparência do tanque de guerra esmagando a terra
ou de um bombardeiro ferindo o céu.
A guerra é a força dos fracos, dos inferiores, dos rejeitados.
Já rolaste no chão, de alegria, misturando teu corpo na terra.
O caminho da guerra não permite que tenhas essa alegria.
Pe. José Luís, CSh