(Síntese do texto base publicada pelo Regional Nordeste 1 da CNBB WWW.cnbbne1.org.br)
"Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão".
1. Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem;
2. Buscar a superação do consumismo, que faz com que ‘ter’ seja mais importante do que as pessoas;
3. Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais;
4. Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da justiça como dimensão constitutiva do anúncio do evangelho;
5. Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.
“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico”
(Lc 16, 19 – 21)
Urgência nos processos de inclusão: considerar todas as pessoas; admirar as pessoas por seus diferentes valores; não apenas socorrer: ouvir, levar a sério, valorizar. Pobreza não é fatalidade; havendo uma cooperação solidária, é possível aumentar o desenvolvimento das pessoas em nível: Material, Intelectual, Afetiva, Espiritual; São obstáculos a serem superados: consumismo para satisfazer necessidades e interesse; Maximização do lucro segundo informação da ONU em relação as metas do milênio em 2008, os bancos ganharam mais dinheiro do que todas as nações pobres do mundo em 50 anos; há um desenvolvimento desequilibrado desde os tempos da Colônia: Alto nível e pobreza; reforço da riqueza da classe dominante; analfabetismo e má remuneração.
O projeto de industrialização, foi construído na base da cumplicidade entre os detentores do poder e da riqueza do Estado e de dinheiro estrangeiro, à custa de empregados mal renomeados e da massa dos pobres impossibilitado de usufruir dos resultados do crescimento do país. O desenvolvimento fracassou politicamente, mas deixou uma herança de dívidas públicas enormes – interna e externa – que são pagas, direta e indiretamente pela população tanto por meio de elevados impostos, como através de serviço públicos subtraídos ou negados à população. A Auditora da dívida pública prevista na constituição Federal, nunca foi feita.
Divida interna: Início do governo FHC: R$ 62 bilhões; Início do governo Lula: R$ 687 bilhões; Dezembro de 2008: R$ 1,6 trilhões.
Dívida externa: Dezembro de 2008: US$ 267 bilhões
Constata-se: BA – 1.274.000 de indigentes; MA – 1.078.000 de indigentes; CE – 991.120 indigentes; Fracasso da reforma agrária; Agronegócio acima das necessidades do povo; Corrupção em todos os níveis; 4.800.000 famílias sem terra.
Brasil: um dos maiores poluidores do mundo pelo desmatamento, as queimadas e segundo a ONG WWF: o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo.
A organização do trabalho é precária tanto no trabalho formal, quanto no Trabalho informal, pois ainda há trabalho escravo, sazonal e infantil, além do desemprego e do subemprego que são também estratégias de sobrevivência.
Os processos de desenvolvimento econômico deveriam implicar em uma distribuição dos benefícios, mas deveria haver também uma partilha do poder entre os diversos atores sociais. Assim, haveria uma redução das desigualdades sociais, uma promoção do bem comum e a superação de preconceitos e discriminações.
Aumento da dívida pública que consome os recursos em pagamento de juros e amortizações e dificulta investimentos na área social.
30,57% - dívida pública: 11.73% corresponde a: 4,81% - saúde; 3,08% - Assistência Social 2,57% - educação 0,59% - Segurança Pública; 0,27% - Organização Agrária; 0,02% - Habitação; 0,16% - Gestão Ambiental; 0,12% - Urbanismo; 0,06% - Cultura; 0,05% - Saneamento. Tudo isso se torna mercadoria para o consumismo onde a ganância é ilimitada e a pessoa torna-se meio, pela perda de valores e até a religião torna-se mercadoria, pois existe a teologia da prosperidade. Persiste a cultura do descartável.
A economia de mercado dita as políticas, reproduzindo uma mentalidade dos grandes e acumulação de riqueza.
Uma educação a partir da realidade em vista da cidadania; os movimentos sociais, as Igrejas, ONGs, Sindicatos e Organizações civis e aparelho estatal tem resistido ao crescimento econômico selvagem sempre defendendo o valor da vida e da dignidade da pessoa. O aparelho estatal não pode ser o único agente de transformação da sociedade.
Diz o conselho mundial de Igreja: nós, Igrejas e crentes, somos chamados a encarar a realidade do mundo, a partir da perspectiva das pessoas, particularmente das pessoas oprimidos e excluídos. Somos chamados a sermos comunidades não-conformistas. Libertar-nos da postura imperial dominadora e sermos comunidades transformadoras, porque transformadas pela graça de Deus.
“Onde está o teu tesouro, ali também está o teu coração” MT 6,21
A Palavra ilumina como agir: uma economia baseada no individualismo e na acumulação de bens materiais afasta radicalmente de Deus porque Deus quer o bem de todos. Ou vivemos solidariamente como irmãos ou seremos todos infelizes num mundo trágico. Deus nos convida a sempre avaliarmos o que fazemos em todos os âmbitos: Social: profetas denunciam poderosos; Comunitário: a diária do trabalhador; Pessoal: fuga da corrupção, prática da partilha e Eclesial: justiça e fraternidade.
Órfão, viúva e estrangeiro; Atividade econômica e relações com Deus; Ano sabático e jubilar: restauração da justiça e do bem comum; Superação das conseqüências da injustiça social; Deus não quer nenhum de seus filhos sem meios de sobreviver com dignidade e de se desenvolver.
Deus criou o mundo onde nele o homem deveria crescer, multiplicar-se, viver em fraternidade e cuidar da criação, mas como seres criados à imagem e semelhança do Criador, amando o que foi criado, zelando pela criação e não destruí-la ou usar-la de forma irresponsável ou egoísta. De tempos em tempos deve haver um descanso, incluindo a terra.
A História humana é marcada por ambições, explorações, injustiças, ganância; o respeito ao direito do pobre, nos textos bíblicos é uma exigência de fidelidade a Deus, sem isso, Deus não aceita nenhum tipo de conversa, oração, louvor.
Bíblia tem preocupação com os pobres também quando trata do empréstimo, dos juros e penhores. Os livros do Deuteronômio e Levitico insistem em não emprestar com juros ao pobre. “Dá a quem te pede – dizia Jesus – a quem quer pedir-te emprestado, não vires as costas”. Mt 5,42
Deus se preocupa com o salário a vida de trabalha. Não aceita a exploração do trabalhador. “vede o salário dos operários que fizeram a colheita em vossos campos....Tg 5,4; Deus cobre de bens os famintos e despede os ricos sem nada.
Artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: o princípio ético universal. A solidariedade faz da humanidade uma família onde todos se protegem mutuamente: ter um novo olhar para a justiça econômica; parábola dos trabalhadores da vinha; Multiplicação dos pães: partilha; Tive fome e me destes de comer; Filiação divina: exigência de fraternidade e solidariedade;
“O teste da verdadeira organização de um país não é o número de milionários que possui, mas a ausência de fome em sua população”. Ghandi
Ajudas emergenciais; Necessidade de ações transformadoras; Organização civil como complemento às ações governamentais;
Caritas Brasileira; Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE; Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA; Serviço Anglicano de Desenvolvimento – SAD
Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida; Experiências de economia solidária e suas elaborações teóricas; Economia indígena; Iniciativas de economia de comunhão; Campanhas da Fraternidade; Semanas Sociais.
Garantir o crescimento e funcionamento do sistema econômico participativo; Ouvir os diferentes setores da sociedade; Reconhecimento do direito universal de proteção social; Justiça tributária; 10% mais pobres: 32,8% de tributos; 10% mais ricos: 22,7%
Economia do Império Romano: resultado de política fiscal fundada nos impostos; A economia cristã: distribuição da riqueza, destinada a socorrer os mais vulneráveis da vida civil e social. Todos os que abraçaram a fé estavam unidos e tudo partilhavam “.....(At 4,32); Quem acumula mais que o necessário pratica crime; História de pecado e de busca de santidade.
QUANTO AO MEIO AMBIENTE E REFORMA AGRÁRIA